a problemática de ser dois, e não ser pedaço.
eu sou tantas! e você, quantos! como se resumir em meio!?
- metades de laranjas não são a fruta inteira.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
sobre amar e ser amado
talvez a mentira seja mesmo uma questão de sobrevivência, de se encaixar e se acomodar neste tanto de pressão que se pede para ser quem não somos. e nossos quereres se escondem através de palavras que falam sobre aquilo que desejamos ouvir, e que todos sabem que ninguém faz. e talvez este seja o nosso mais sincero e medíocre querer - de sermos um. e assim talvez nos percamos de nós, um pouco da vida, e assim portanto, sobrevivemos.
terça-feira, 19 de maio de 2015
quinta-feira, 5 de março de 2015
paralelas
me desfaço toda, para me refazer. dos pedaços que de mim ficou, que se juntaram a você.
traço riscos no caderno: tenho tanto à dizer.
sobre o silêncio e amores não dito. que viole os miúdos e transpasse meu grito. sobre as tais paralelas que se encontram no infinito.
traço riscos no caderno: tenho tanto à dizer.
sobre o silêncio e amores não dito. que viole os miúdos e transpasse meu grito. sobre as tais paralelas que se encontram no infinito.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
sobre os nós que existiram
para te ter na liberdade que lhe é própria, me vi sozinha. restou-me o cheiro do abraço, que em mim ainda doía. e entrelaçava-se por entre as memórias, meus cigarros e bebidas. para que saíssem os monstros da minha mente, tirei a pele, os músculos e coração. tirei de mim, você. E todo você em mim ficou. foi-se embora o que me cobria, me erguia e então parti o que, por insistência, ainda batia.
penso que, na vida, estamos sós. e que dentro deste nós que compúnhamos, o mais belo de ti ficou - a importância de ser um.
- eu repito todas as manhãs, até que possa compreender minhas próprias palavras.
penso que, na vida, estamos sós. e que dentro deste nós que compúnhamos, o mais belo de ti ficou - a importância de ser um.
- eu repito todas as manhãs, até que possa compreender minhas próprias palavras.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
desde então
tinha toda a serenidade daquele que nunca amou - o que era mentira, já que os músculos e órgãos e vértebras se comprimiam e se tomavam o lugar, um do outro, assim como a cabeça o das estranhas, os pés o das mãos. era um amor não dito, não permitido e, portanto, não vivido. era o reflexo nos olhos daqueles pensamentos que vão, se era para dentro ou fora de mim, eu não sei. e perdeu-se.
E me perdi.
eram tantos, os recados, as mensagens, a religião, filmes, livros, auto-ajuda, comédia-romance, o drama, um suspense, do amigo, o vizinho, os devaneios na cachaça, o cara da balada, a menina no bar. todos eles e elas e nós, mirados na seta de um cupido ao acaso. somebody to love e que o peito exploda.
E explodi.
foi desses caras que falam demais e que bebem demais e que, junto à ela, sonhava demais - desses amores passíveis de se fazer as malas e fugir. logo ela que ria demais, chorava demais e desejava demais - e repetia, comigo não!
Eu repeti.
e disse - toda confusa, num jeito meio seu de dizer para dizer e que ninguém compreenderia - ela o viu fugir. diante de um cinismo e sobriedade que a vida e o álcool lhe dera, por entre as luzes dúbias do aconchego e abandono natalino, seu presente do ano partiu.
e tinha pernas, o menino. e andaria, como qualquer um que assim as tivesse - ela supôs.
E me perdi.
eram tantos, os recados, as mensagens, a religião, filmes, livros, auto-ajuda, comédia-romance, o drama, um suspense, do amigo, o vizinho, os devaneios na cachaça, o cara da balada, a menina no bar. todos eles e elas e nós, mirados na seta de um cupido ao acaso. somebody to love e que o peito exploda.
E explodi.
foi desses caras que falam demais e que bebem demais e que, junto à ela, sonhava demais - desses amores passíveis de se fazer as malas e fugir. logo ela que ria demais, chorava demais e desejava demais - e repetia, comigo não!
Eu repeti.
e disse - toda confusa, num jeito meio seu de dizer para dizer e que ninguém compreenderia - ela o viu fugir. diante de um cinismo e sobriedade que a vida e o álcool lhe dera, por entre as luzes dúbias do aconchego e abandono natalino, seu presente do ano partiu.
e tinha pernas, o menino. e andaria, como qualquer um que assim as tivesse - ela supôs.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
das cartas coladas
Desfiz as malas e toda a bagagem - daquilo que tinha, que sabia, que era ou que pensava. Estava pronta para deixar ali os meus raios e fincar minhas raízes. Pesei a promessa no chão, marcando com os pés o caminho, que faziam a única dupla de todo aquele composto de coisas que me faziam uma só. E era só. O maço no bolso em seu fim denunciava, e atava os nós na garganta por entre a fumaça. A lata seca da cachaça negava a loucura que vinha em dilúvio, este, sob o céu cinzento. Eu me vi ali, no banco úmido da praça, balbuciando estes nós, de pronome e de laço, que não chegaram a acontecer. Entre outros bancos, tão vazios quanto os meus, caminho entre a poesia no papel que ali foi colado. Eram outros compostos que marcavam a presença e contavam um pouco sobre si e sobre o outro, e a mim batia no peito as mesmas palavras - falava de seus pés no chão e cantava a favela em sua frieza e calor. O humano. Tão humano que doía. O cartaz no banco me perguntava: a obrigação virou refúgio? Não, respondi, sem o ponto de interrogação.
sábado, 21 de setembro de 2013
as luzes nos olhos doentes, doendo, sem aplauso nem platéia, com meu sempre nariz vermelho - saí de cena. penso no tempo que passa pesado, lentamente, arrancando a casca, vagaroso e vaporoso - arranca de mim, do peito, toda promessa dita, maldita e mal criada, criadas por mim e pelo meus eus, meu deus e meus outros mil demônios. pesadas as botinas sobre meus pés descalços, cheiro de praia e promessa que o sol conta e eu custo a acreditar.
fechou-se pro tal do balanço.
fechou-se pro tal do balanço.
terça-feira, 11 de junho de 2013
sol ta pro sa
solta prosa,
solta e leve
trata da pressa
e leva a carroça
de cara, a couraça
- é Maria, é João!
no meio do peito
o tiro perfeito:
coração.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Saltei da bolsa o papel e caneta que me fariam registrar - antes fosse que um click em seu rosto em plena oito horas da manhã. Falo isso porque, é isso que hoje fotografo em minha mente - deixe-me descrever:
É uma menina miúda de tudo, tão pequena, pernas e braços finíssimos, um rosto branco de cabelos bem negros escorridos pelos ombros. Menina de batom vermelho, vestida de gente grande. Carrega nas mãos um livro - que já bisbilhotei, é Nietzche! - tenho certeza ser mais pesado que ela. Senta de frente a mim no ônibus lotado. Lado esquerdo a janela que deixa entrar a luz solar das oito da manhã, deixando seu rosto ainda mais pálido - e observo um leve reflexo no vidro. Um reflexo todo negro, assim também são suas roupas. Tem cheiro de esperança, que apesar de tentar disfarçar sua leveza entre seus livros e panos pesados, seus olhos, também de criança, contam um pouco da singularidade de ser o que se é. E, se o que vejo, daria uma foto, a enquadraria então assim mesmo, junto com toda essa gente, que destonalizaria o plano de fundo e realçaria o seu vermelho. Porque assim ela o é.
É uma menina miúda de tudo, tão pequena, pernas e braços finíssimos, um rosto branco de cabelos bem negros escorridos pelos ombros. Menina de batom vermelho, vestida de gente grande. Carrega nas mãos um livro - que já bisbilhotei, é Nietzche! - tenho certeza ser mais pesado que ela. Senta de frente a mim no ônibus lotado. Lado esquerdo a janela que deixa entrar a luz solar das oito da manhã, deixando seu rosto ainda mais pálido - e observo um leve reflexo no vidro. Um reflexo todo negro, assim também são suas roupas. Tem cheiro de esperança, que apesar de tentar disfarçar sua leveza entre seus livros e panos pesados, seus olhos, também de criança, contam um pouco da singularidade de ser o que se é. E, se o que vejo, daria uma foto, a enquadraria então assim mesmo, junto com toda essa gente, que destonalizaria o plano de fundo e realçaria o seu vermelho. Porque assim ela o é.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Desde então, o relógio rodava lento e a cada hora fechada calculava vagamento sobre o que fazer pelas próximas horas, até que elas fechassem novamente, já que você não estava mais ali, nem do outro lado. E passava a hora pensando e fazendo coisa absurdas como olhar o celular por tantas vezes, como se isto bastasse para fazê-lo tocar e ver o seu nome ali, brilhando. E fico imaginando que, talvez se eu pensar bem forte em você, talvez do outro lado você também pense em mim. Às vezes tentava, inutilmente, como se fosse possível unir meu corpo ao teu, através de lembranças, estas, que doíam cada vez mais, seja por saudade, seja por mágoa, pelo amor que doei ou que deixei de dar. Lembrava de você dormindo, feito aquela música melosa da Legião, que só faz a gente pensar quando estamos assim. Às vezes concluo que era melhor ter ficado ali, abraçados daquele jeito, o cheiro do pescoço, ombros, peito, calada, agradecendo por aquele amor maroto que um dia já foi, ou era, e eu, ou nós, deixamos de ser.
Fui perdendo os modos, os gestos, as palavras, o bom tom, e tudo foi saindo meio desesperado como tem saído o pensamento, ou como tem entrado. E pairo flutuante na bolha do pensamento - densa, escura, chorosa, que entro e saio conforme gira a ciranda da roda da fortuna. A cabeça rodopiou, feito aquele símbolo louco, místico, esotérico, radiônico que me passaram, que coloquei minha própria cara adentro, como se estes cinco dias pudessem mesmo curar estes cinco anos.
Acho que não. Já faz cinco séculos que estou de frente ao relógio e ele não moveu um segundo.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
do escrever
Diz ela que, acima de tudo, é preciso ter o coração pulsando. Fiz que não senti sua dor, porque sei que é ali que ela vive toda. E é ali, entre as folhas, que ela se desagua - e desagua feito mar que desenrola aos pés da terra para saudar a vida.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
a valsa.
hoje vi no tempo o grande deus
é só ele - existe permanece é
numa vastidão que fico a me perguntar se não é isso que sempre foi
o tempo,
a coisa parada rodopia com o vento
meu senhor, deus tempo: leva contigo e com o vento, todo esse peso que é ser também assim: imensa, rodopiante, cravada num momento.
do qual não se tem jeito
é se deixar levar com o vento.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
cai o tan go
à pequena distância, tão longe ficou. ainda que posto à chama, diante de nós pairou o tempo. e lembrarás das vontades das labaredas e dos ventos, esses, e sentirás a necessidade de correr e queimar, esperando que as águas de teu corpo escorram, ainda que em lugar desconhecido, num outro oceano de ser.
rios que percorrem frouxo neste clima árido de um quase verão. vento que venta quente junto à chuva que cai gelada. ele e ela. diferentes iguais. dispostos à opostos complementares. entretanto, como sol e lua, sempre fostes.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Do despir
Dois ou três copos depois estava eu, nua defronte o espelho, refletindo toda a falta de caráter que presumia ter. Carregada desta presunção, uma ferida aberta demorava a cicatrizar, e doía. Era eu a responsável por tudo que me havia acontecido. Sempre fora.
Descobri-me perdida e confusa quanto qualquer alvo que a ponta de meu dedo indicara. E era assim, a cada nova descoberta comia de minha própria hipocrisia.
Os olhos, antes vermelhos, estavam sensíveis diante da Luz. Quis ficar por algumas horas. Fiquei dias - que viraram meses. Junto aos meus passos trôpegos, eu mirei. Eu fui.
A razão ansiava pelo fim do ciclo anual, mas o coração sabia. Aquela era a hora de sua morte. E dentre todas, a que mais sentia.
Nunca morri de modo tão vivo. Tão assistido! Diante de meus olhos caretas, eu morria.
À vista minha própria nudez, gritava meu corpo pelo instante. Do qual, bem sabes, nunca pediu arrego. Dilacerava o meu peito, pedinte da verdade.
Alguns corpos depois, estava eu, nua defronte o espelho, refletindo toda vontade de ser. Algo em mim aguardava. Coisa de tempo que cura: a coisa da alma que experimenta.
A física quântica me pegara, à medida que a ciência da paz se aproximava.
Como era difícil despir-se.
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